sábado, 11 de janeiro de 2014

Desbravando novos horizontes

Olá pessoas!
Em primeiro lugar, preciso verdadeiramente me desculpar com vocês pela a minha ausência nos últimos seis meses. Em relação ao Gabriel, não tenho muito o que contar, a última notícia que tive foi no final do ano passado, lembram-se que em Julho, ele estava internado? Pois é, após 6 meses, ele pediu para sair, dizendo que não estava mais aguentando. Foram 6 meses e imagino o quanto ele teve que lutar contra ele mesmo para ficar esse tempo todo e no fim, desistir dele, mais uma vez...

Bom, vocês conhecem a minha fé, não desistirei de um dia poder escrever que ele está em recuperação novamente.

Mudando de assunto e explicando o meu super sumiço:

Comecei em Janeiro do ano passado a escrever o meu segundo livro. Após muito pensar se eu escrevia mais um sobre DQ ou não, optei por não fazer. Não agora. Quem leu Valeu a Pena, sabe que escrevo desde os meus 13 anos, essa vontade sempre esteve em mim, quando eu o escrevi, trouxe ela à tona, e após escrevê-lo, o blog supriu essa necessidade, porque nele escrevia sempre. Acontece que a vontade de escrever romances, nunca morreu e lá fui eu. Foram meses, quase 9, para eu gostar do resultado e ir adiante.

Nesse meio tempo, criei outro blog, com textos e crônicas, maioria românticas, gosto de escrever lá, dou asas à imaginação.

Enfim, quero convidar vocês para conhecer o meu outro blog: Entre o Caos e a Ordem e também para conhecerem o meu livro, cujo a versão impressa e e-book está disponível no Clube de autores e....tchan tchan tchan, a Saraiva também está vendendo o e-book.

Segue os links:

www.entreocaoseaordem.blogspot.com
https://clubedeautores.com.br/book/150763--MOMENTO_ERRADO#.UtHBUHCsgus
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/6678209


Essa é a Sinopse:

E sempre haverá aquele momento em que as estradas bifurcam e você terá que escolher uma delas. Você terá que dar adeus ao ponto de interrogação e partir em busca do ponto final, ou quem sabe, da reticências. O que não pode, é uma história acabar com interrogação.

Entre olhares, sorrisos, músicas e palavras, Manuela e Leonel descobrem o verdadeiro sentido da amizade. E da paixão.

Eles dividem momentos, compartilham sonhos,até que a realidade recaí sobre eles: Pessoas certas. Momento errado.

Leonel tem planos de ir para o exterior e não quer se prender a alguém e Manuela teme tanto o que sente que é obrigada a fingir não sentir.

Enquanto ele faz o tipo "não sou bom em relacionamentos" e para se defender de possíveis frustrações, vive protegido pelo o que ela chama de 'Muralha da China" ao seu redor. Manuela tenta de todas as formas resistir ao jeito confuso dele, lutando contra seus sentimentos mais puros e também mais escuros na tentativa de não se deixar levar pelos olhos caramelos dele.

Uma história com final surpreendente que nos faz pensar se realmente existe o momento errado.

Boas 24 horas para nós.

domingo, 28 de julho de 2013

E por que não?

Dezesseis de Julho, meu aniversário, meus 29 anos, que foi celebrado, esperado e bem recebido por mim.

Dezoito de Julho, meu presente do Universo: A notícia de que ele está em recuperação.

Na noite de dezessete para dezoito, eu sonhei com ele, sonhei que ele estava em uma roda dando depoimento sobre a sua recuperação, acordei de madrugada e o sonho ficou em minha mente. No dia seguinte, recebo uma mensagem da irmã dele, dizendo que não havia se esquecido do meu aniversário, que não tinha conseguido entrar na internet antes e... Que o Gabriel está internado.

Quando eu vi em meu celular a mensagem dela, corri para o banheiro do meu trabalho e dentro de uma pequena cabine, eu chorei e agradeci pelo presente, Deus sabe o quanto significa para mim saber que o Gabriel está buscando ajuda novamente.

Ele está passando por aquele processo difícil dos três primeiros meses, a grande maioria de nós conhece esse processo, mas, eu tenho fé, ele foi por conta própria, pediu ajuda no CAPS e se internou sozinho, a família ficou sabendo após ele estar há mais de 45 dias internado.

Ele não desistiu dele.

Nem a família dele.

E nem eu...

Então, quando me perguntam se eu ainda acho que é possível a recuperação do Gabriel, a minha única resposta é: E por que não?

Eu acredito, o Universo está conspirando a favor da recuperação dele, o Poder Superior o está guinado, eu tenho fé de que ele consegue e não há motivos para eu não ter. Sempre tive e sempre terei.

Só por hoje, as lágrimas que escorrem pelo meu rosto, são de alegria, lágrimas de satisfação, felicidade, de renovação da fé.

Que ele consiga, um dia de cada vez, encontrar a sua recuperação.

Aqui sou eu, feliz por inteira!

Boas 24 horas.

domingo, 16 de junho de 2013

Dor X Alegria


A vida não é feita somente de momentos felizes e de sorrisos abertos. Se não conhecêssemos a dor e as lágrimas, não daríamos valor para a felicidade.

Chorar é tão importante quanto sorrir.

Às vezes precisamos sentir o peso do mundo sob nossas costas para percebermos o quão fortes somos, às vezes é necessário sentirmos saudades para valorizarmos os bons momentos, precisamos atravessar a chuva para chegar ao arco-íris.

Demorei tanto para perceber e aceitar essa realidade, mas, hoje eu a entendo bem e pode parecer surreal dizer que até mesmo a dor é necessária, ainda mais para quem está sendo esmagada por ela, mas eu sei do que estou falando, assim como tantas outras mulheres,sou PhD em sentir dor e tive que me tornar especialista em me recuperar dela também.

Como?

Aprendendo a me amar novamente, porque se é fato que a dor sempre existiu e sempre vai existir, é fato também que podemos escolher ou não adoecer com ela. Eu adoeci e me permiti senti-la até ela se esgotar dentro de mim, talvez, se eu tivesse a consciência na época de que é quem decido se vou permitir que ela me domine ou não, muitas lágrimas teriam sido evitadas, mas, não foram e então, o que me sobrou foi a necessidade de insuportável de voltar à viver.

E eu voltei, eu olhei para mim e percebi que não posso mudar o mundo, não posso mudar a vida das pessoas ao meu redor, mas, posso mudar a minha.

Eu deixei de ser a sombra de mim mesma e voltei a ser a minha própria luz. Isso não significa que eu tenha desistido, se tem uma coisa que uma codependente (em recuperação) aprende a fazer é a viver sem desistir, eu desliguei, deletei a versão fantasma de mim mesma mas, ainda sim, todas as noites, meus pensamentos se elevam e peço ao Poder Superior que proteja e guie o caminho dele, o anjo caído, que me ensinou a ser forte quando a situação exigia que eu não fosse.

Só Por hoje, eu aprendi a aceitar a dor para apreciar a alegria.

Só por hoje, eu sou forte porque a dor me tornou assim.

Só por hoje, eu não recamo de tudo o que passei, e sim agradeço.

Sobrevivi.

Aprendi a dar valor à coisas e momentos que antes não pareciam ter importância.

Essa sou eu, uma codependente em recuperação.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

É perigoso precisar tanto assim de alguém...


E era assim... Ele precisava de mim e no fundo, eu também precisava dele.

Eu me tornei o foco, o centro das atenções dele, o ponto de equilíbrio e também desequilíbrio.
Eu estava tentando salvá-lo e esperava que eu conseguisse.

O ciclo da codependência estava criado. 

Ele se tornou o meu foco, o centro das minhas atenções, o meu ponto de equilíbrio e também desequilíbrio. Ele se tornou o meu ar, a minha comida, o meu sono, os meus sonhos e algumas vezes, o meu pesadelo.

É perigoso precisar tanto assim de alguém.

Nós precisávamos um do outro, éramos bons dessa forma, dessa forma doentia de precisar.

Ele não se deva o devido valor, era eu quem fazia esse papel e em contra partida, ele cada vez mais aumentava a redoma de vidro em que havia me colocado. Ele não entendia que eu também precisava dele, achava que era uma via de mão única, mas a verdade é que ambos, precisávamos ridiculamente um do outro, ele precisava de mim e eu da sensação que o precisar dele causava em mim.

Sentimento egoísta.

Fomos sim, egoístas com nós mesmos, não um com o outro. Não, eu me doei e ele se doou, não houve egoísmo entre nos, houve "com nós".

É perigoso precisar tanto assim de alguém.

E eu precisei tanto dele, precisei tanto que ele se recuperasse, precisei tanto que ele parasse de se matar com o crack por mim, precisei tanto que ele provasse que o nosso sentimento era maior, precisei tanto que ele renascesse, que não me dei conta de que eu estava em uma missão kamikaze, eu PRECISAVA DE MIM e custei a perceber isso.

Adoeci. Sofri. Chorei. Me revoltei. Chorei. Lutei. Desisti. Não desisti. Abri mão e agora eu só preciso que ele não precise de mais ninguém além dele mesmo para encontrar a sua recuperação.

Eu preciso que ele pare de se drogar pelo simples fato de precisar fazer isso por ele mesmo e mais ninguém.

É... Eu ainda preciso, seja lá qual seja a necessidade, eu ainda preciso, porque no fundo, mesmo dizendo que preciso que ele pare por ele, é por mim que preciso.

É perigoso precisar tanto assim de alguém. Hoje eu sei. Nós precisamos passar por isso.

Hoje, eu preciso primeiro precisar de mim. Hoje a minha doença está controlada e hoje eu só quero não precisar que ele se recupere e sim somente acreditar que ele vai se recuperar.

Boas 24 horas!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Vai ter horas...


Sem meias palavras, eu preciso dizer:

Vai ter horas que você vai querer jogar tudo para o alto;
Vai ter horas que você vai querer largar tudo, apertar o botão do foda-se e seguir em frente;
Vai ter horas que vai doer tanto, mas tanto, que você vai sentir vontade de colocar para fora essa dor de uma forma até mesmo violenta, você vai querer bater, xingar, chutar;
Vai ter horas que você vai se sentir sozinha mesmo estando rodeada por pessoas próximas;
Vai ter horas em que o ar vai lhe faltar e você vai achar que vai surtar;
Vai ter horas que você vai achar que o mundo está contra você;
Vai ter horas que talvez você pense que Deus se esqueceu de você e isso vai doer;
Vai ter horas que você vai desejar não estar mais em seu corpo, vai desejar ser outra pessoa, ter outra vida, amar outra pessoa;

Mas...

Vai ter horas que você vai sorrir como uma criança, ao ver "ele" voltar após dias nas ruas usando;
Vai ter horas que você vai amá-lo de uma forma que uma pessoa que não tem um DQ em casa não será capaz de amar;
Vai ter horas que você vai chorar com ele ao vê-lo lutar bravamente contra a a vontade de usar;
Vai ter horas que você vai perceber que você por causa da dor sentida, você se tornou mais sensível e passou a dar valor aos pequenos momentos;
Vai ter horas que você vai conseguir dizer que valeu a pena;

E...

Talvez, tenha horas que você precise colocar na balança todos esses sentimentos, sensações, experiências e então tomar uma decisão do que fazer a respeito.

E eu espero que mesmo que você decida seguir em frente, decida viver outra vida, decida renascer, mesmo que você decida virar a página, dar a ele uma em branco para que ele escreva uma nova história para a vida dele e você escrever uma nova para a sua, o mais importante é que nessas horas, você possa dizer que VALEU A PENA!!!

Seja qual for a sua decisão, seja qual for a sua história, não deixe que as horas ruins apaguem as horas boas, apenas faça valer a pena!




sexta-feira, 15 de março de 2013

Medo de não ter mais medo

Eu seu que vocês vão entender de cara o que essa imagem e essa frase significam, afinal, sei que não sou a única que um dia teve o desprazer de sentir essa sensação. Medo que o medo acabe.

É tão estanho e contraditório, mas, ao mesmo tempo, tão real. É exatamente isso que sentimos quando estamos no na roda viva da condependência, quando estamos alimentando-a sem perceber, quando estamos sobrevivendo e não mais vivendo.

Medo que o medo acabe, quer dizer nada além do que a própria palavra diz, quando a Co esta ativa, não percebemos que nos acostumamos com ela, com o ciclo viciante dela e passamos a caminhar em círculos, onde sentimos medo por tudo o que nos está acontecendo e quando (nada de repente) as coisas começam a se ajeitarem, passamos a sentir medo (inconscientemente) de não termos mais esse medo.

Em outras palavras, quando estamos começando a sair da roda cíclica  da codependência, sem perceber, passamos a nos preocupar com o que vamos nos preocupar a partir desse momento, a ausência da doença nos traz outra preocupação, a de não saber mais como será as nossas vidas sem ela. Entramos em abstinência da doença, abstinência do medo, das situações limites, do desespero, das lágrimas e até mesmo da dor.

E para você que está lendo pela primeira vez sobre o assunto, não, não somos masoquistas, não gostamos de sofrer, muito pelo contrário, entramos nesse ciclo justamente por achar que podemos evitar o sofrimento.

Não somos malucas, nem suicidas e muito menos Kamikazes, na verdade, não percebemos que estamos entrando nesse novo ciclo quando começamos a nossa recuperação, mas, esse ciclo faz parte dela, é necessário. Sentir esse medo nos faz repensar nossas atitudes, o que não podemos permitir é que esse medo nos domine, o medo de viver feliz, o medo da nova vida, o medo de recomeçar, esse medo às vezes nos paralisa e é esse medo que sentimos quando deixamos de lado o medo da dependência e da codependência.

Agora que você conhece esse medo, basta controlá-lo, e normal, quando estamos entrando em recuperação, às vezes nos sentirmos inseguras em relação ao futuro, mas, ter medo de não ter mais medo não nos levará à lugar algum!

Bom final de semana!

Boas 24 horas!

domingo, 3 de março de 2013

Feliz Aniversário Anjo Gabriel!


03/03/83
Essa é a data. Foi nesse dia que aquele a quem eu chamo carinhosamente de anjo Gabriel nasceu. Hoje, ele está completando 30 anos e antes de eu fazer esse post, estava lendo o post que fiz no ano passado, nesse mesmo dia, nesse mesmo mês, onde eu dizia que não sabia nada sobre ele.

Pois é, de lá pra cá, muita coisa mudou, após mais de 8 anos sem nenhuma notícia dele e mesmo assim, sem nunca deixar de acreditar na recuperação dele, sem deixar acreditar que ele estava vivo, ano passado  eu vim a ter notícias dele. Então, seu eu pude ficar tanto tempo sem saber nada sobre ele e ainda sim, mantive a minha fé, hoje, mais do que nunca, a minha fé se mantém inabalável em relação à recuperação dele.

Anjo, não importa o que esteja fazendo agora, não importa se está se acabando ou se recuperando, nada é capaz de mudar o meu sentimento por você na data de hoje, nada é capaz de mudar o meu desejo pela a sua felicidade.

Anjo, eu só desejo que você renasça para uma nova vida, só desejo que você deixe de sobreviver e passe a viver novamente, a vida aqui lhe espera, você sempre terá uma chance de recomeçar, nunca será tarde demais para você, eu conheço a sua alma, conheço a sua essência, tive acesso ao seu coração e sei o quão forte ele é.

Tô aqui anjo, torcendo por você, orando por você, que o Universo, que o Poder Superior lhe proteja, lhe abençoe, lhe dê a oportunidade para uma nova vida, eu acredito em milagres e você já é um milagre, um milagre por ter sobrevivido tanto tempo, chega disso anjo, chega de sobreviver e volte a viver!


"É só uma questão de tempo, eu sei que esse Anjo encontrará o seu caminho, seguindo a luz que vem do Céu, seguindo a Ordem Divina de que ele veio à Terra para ser feliz e não para sofrer.
Eu conheci um Anjo e por tudo o que vivi, digo que Valeu a Pena"
(Livro Valeu a Pena - A Jornada de Uma Codependente)

Feliz aniversário, que comece hoje um novo dia para você, o dia do seu renascimento!


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sou como um vaso quebrado!


Ontem, em uma conversa com um amigo, falando um pouco sobre tudo o que passei durante a minha tentativa de ajudar o anjo Gabriel, houve um momento em que ele usou o termo FRUSTRAÇÃO, e em como "deve" ser frustrante tentar ajudar um DQ e ele recair.

Oh... Por Deus, como eu sei o quanto isso é frustrante e ontem eu percebi que mesmo tantos anos depois, ainda sinto a mesma frustração, é como se eu soubesse lá no fundo, que ela vai me acompanhar pelo o resto da minha vida, aquela estranha sensação de impotência, a estranha vontade de estar no controle, a necessidade de ser forte, o sentimento de inferioridade, a busca inconstante pela a aprovação dos outros, o desejo de ser a heroína, o sentimento de não me sentir boa o bastante, todos esses sentimentos juntos fazem parte da palavra FRUSTRAÇÃO que meu amigo ontem se referiu.

Nove anos depois, eu ainda sinto a mesma frustração quando me lembro do que passei e por mais que falem, que digam que não devo me sentir assim, é como eu me sinto e acho que essa marca estará em mim pra sempre.

No fundo, sou como um vaso quebrado que foi colado, a trinca que ficou, fruto do "conserto", é a marca da frustração que jamais se apagará.

Eu testo meus limites na tentativa apagar essa marca, mas ela não vai se apagar e a necessidade de provar para mim mesma que eu consigo é o meu maior teste de auto-controle, de recuperação.

Porque não importe o quanto passe o tempo, não importa o quanto eu seja amada, o quanto eu seja forte, o quanto eu esteja no controle da minha vida, talvez nunca será o bastante, talvez eu terei que constantemente estar renovando tais sentimentos, provando pra mim mesma sem querer provar para o mundo que eu consigo.

Só por hoje, estou tentando não provar nada à ninguém, só por hoje, estou tentando não precisar da aprovação de ninguém para me sentir bem, só por hoje, não estou jogando o jogo do ganha e perde, onde o meu ego precisa que alguém assuma que ganhei para se sentir feliz e realizado.

Só por hoje, eu aceito a minha trinca, aceito todas as frustrações que essa trinca carrega.

Sou como um vaso quebrado, mas um vaso de valor inigualável e imensurável!



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Pelo Resto da minha vida!

Pelo resto da minha vida, terei que controlar a minha tendência pelo sofrimento.

Pelo resto da minha vida, terei que vigiar a minha compulsão por me colocar em situações em que tenho que provar a minha força.

Pelo resto da mina vida, terei que driblar a minha tendência a me diminuir diante dos outros.

Pelo resto da minha vida, terei que lidar com problemas de baixa auto-estima que possam vir a surgir.

Pelo resto da minha vida, terei que trabalhar em mim a tendência que tenho pelo excesso de sentimentos, pelo extremo, pelo épico e trágico.

Pelo resto da minha vida, terei que manter sob controle a facilidade que tenho de me anular em nome de algo ou alguém.

Pelo resto da minha vida, terei que conviver com o pior de mim que a codependência fez aflorar.

Pelo resto da minha vida, terei que saber controlar as lágrimas que me rasgam a face quando as lembranças do passado vêem à tona.

Pelo resto da minha vida, terei medo de sofrer e terei que lidar com o medo de não sofrer.

Pelo o resto da minha vida, terei que me convencer de que não preciso ser forte o tempo todo, eu posso ter os meus momentos de fraqueza.

Pelo resto da minha vida, terei que acordar e dizer para mim mesma que seja lá o que acontecer, é só por hoje e que sou responsável pelas escolhas que faço.

Pelo resto da minha vida, terei que aprender que eu posso escolher deixar algo me afetar e me entristecer ou não.

Estou em recuperação e estar em recuperação é escolher ser feliz com minhas limitações, minhas cicatrizes, meus defeitos, minhas qualidades. Meu passado.

E eu sou uma codependente e sempre serei.


Não existe cura para a doença que contraí, existe recuperação e por isso, sou uma codependente em recuperação.

Mas, estar em recuperação não significa estar curada, é um trabalho diário, uma escolha diária.


Estou em recuperação porque escolhi estar!





Boas 24 horas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Eu ainda acredito na recuperação!


Eu escolhi voltar a viver, eu soltei a mão dele mesmo ainda querendo estar ao lado dele, eu o deixei livre para fazer suas próprias escolhas mesmo sabendo que os riscos dele escolher o caminho errado eram grandes.
Eu não tive opção. Era ou a doença dele ou a minha saúde. Eu cheguei no meu fundo do poço e ele ainda estava em queda livre para o fundo do poço dele.

É, cada um tem o seu próprio fundo do poço e só se volta à superfície depois que se encontra o fundo, pois é lá no fundo que encontramos meios de nos impulsionar de volta à superfície.

Eu voltei, busquei forças para dar o impulso e voltar a ver a claridade, após um longo período na escuridão, no caos profundo.

Ele ainda não encontrou forças para dar o impulso final, talvez, ainda não tenha chego em seu próprio fundo do poço, mas, eu não desisti dele.

Eu desisti sim, de me acabar com ele, de me afogar com ele, de me matar com ele, mas, isso não significa ter desistido da recuperação dele, eu não perdi a fé nele, não perdi a fé em meu Poder Superior, eu só segui em frente, só me dei o direito de buscar a felicidade, de encontrar a felicidade.

É o chamado desligamento com amor, eu deliguei, por necessidade, mas, jamais deixei de acreditar na recuperação dele. Ainda espero por ela. Mesmo tanto tempo depois, eu escolhi não desistir, escolhi não esquecer.

E para você que se pergunta o que fazer, para você que se questiona se deve ou não continuar ao lado de seu amado dependente químico, vai a minha opinião:

Não existe uma resposta pronta para tal indagação, é o seu coração que vai lhe dizer o momento, só não deixe de ouvi-lo, porque se hoje olho para o meu passado com ternura é porque tive coragem de ouvir o meu coração e entender que o nosso tempo havia chego ao fim antes que a dor transformasse o que de bonito tivemos em algo escuro e sombrio.

Se você achar que o amor está a ponto de virar ódio, talvez esse seja o momento de pensar se não está em seu fundo do poço, e se estiver faça o que for necessário para sair dele, mas também para não permitir que o que os sentimentos que um dia existiu entre ambos, vire cinzas ou pó junto com as drogas.

Eu fiz a minha escolha, convivo com ela diariamente e ela me faz crer que Valeu a Pena!

Eu ainda acredito na recuperação.

Boas 24 horas.


domingo, 27 de janeiro de 2013

Estamos no Jornal o Estado de São Paulo!

Boa noite pessoas!

Como vocês estão? Eu sei, eu sei, ando sumida né? Mas é que estou em dois processos, um é o meu livro, que estou editando novamente, acrescentando detalhes que quando o escrevi, ainda não estava pronta para lembrar e que com o blog, me veio à tona e outro é um segundo livro, se no primeiro conto a minha história, o meu amor, a minha queda, no segundo estou contando a minha recuperação, meus momentos de racaidas, e tudo o que eu aprendi desde então.

Isso tem me tomado tempo, mas logo estarei de volta semanalmente aqui como antes. O blog é a minha recuperação.

Bom, na quinta a noite, recebi uma ligação de um jornalista do Jornal O Estado de São Paulo, Artur Rodrigues, entrou em contato comigo por telefone, ele ligou no meu celular, se identificou e perguntou quanto ao meu blog e quanto o livro.

Contei resumidamente a minha história para ele e falei que quando comecei a escrever no blog, éramos em cerca de 5 blogueiras(os) e que hoje estamos na casa dos 30, ele se interessou por essas histórias, disse que havia visto em meu blog comentários de outras blogues e então disse que faria a matéria sobre o assuntou.

Fique super feliz, indiquei vários blogues para ele ler, todos que me veio à mente, depois ele me enviou um e-mail e constatei que realmente era sério (eu estava com receio).

Bom, a matéria já saiu na internet e amanhã sai a versão impressa, segue abaixo o link

http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/em-blogs-viciados-em-drogas-relatam-hist%C3%B3rias-e-medos

É um passo a mais para todas(os) nós!

TMJ


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Modus Operandi do dependente químico


Quem acompanha o blog, deve se lembrar da postagem "Desligando a humanidade" (aqui), onde falo que o dependente químico na ativa, desliga as suas emoções e passa a viver somente em função da droga, buscando nela o prazer e o alívio.

Hoje, vou falar do processo que se inicia quando o dependente desliga as suas emoções. É quase que sincronizado, ele desliga as suas emoções e aperta o "Start" em seu processo de "Modus Operandi".

Modus Operandi é uma expressão que vem do latim que significa modo de operação, utilizada para designar  uma maneira de agir, operar ou executar uma atividade seguindo sempre os mesmos procedimentos.

Na dependência química, utiliza-se muito o exemplo de uma mulher em uma praia, muito bonita, sozinha. Um homem normal, olha para ela, sente desejo por ela, pensa em flertar com ela. Mas, raciocina, pensa que ela pode ter um namorado ou marido e decide não se envolver em confusão. já o adicto olha para essa mulher e sente obsessão e parte para o assédio impulsivamente, pensando nas consequências dos seus atos, somente depois é que vai pensar nas consequências dos seus atos.

Em outras palavras, o adicto inicia um processo de piloto automático, um processo cíclico e repetitivo para nada além do que satisfazer a sua vontade e necessidade pela droga.

Todos nós temos um modus operandi, sem exceção, mas, o do dependente se potencialliza com o poder e efeito das drogas.

Diante disso, talvez, fique um pouco mais fácil entender e compreender a obsessão do dependente pela sua droga de preferência, o desespero e a compulsão dele para poder usá-la e usá-la. Não existe um segredo para desligar o tal modus operandi, é algo que dependente totalmente do dependente, ele é desligado quando o dependente chega em um determinado ponto onde algo de drástico acontece, drástico para ele, o chamado fundo do poço, é nesse momento que as chaves são invertidas, a chave do modus operandi é desligada e a chave das emoções começa a ser ligada lentamente.

E é nesse momento em que o dependente tem a chance de ser "resgatado" de seu submundo e trazido de volta ao mundo.

É cansativo, doloroso, massacrante e muitas vezes, quase que impossível, mas, saber identificar esse momento é de extrema importância no árduo trabalho para ajudar um dependente, é nesse hora em que a lacuna que se abre na vida do dependente quando está na ativa, se torna visível, aparente e com isso, possível de ser dominada, controlada, trabalhada e preenchida.

Acho que eu não soube identificar esse momento exato, talvez, eu não tenha percebido os sinais, mas, ainda sim, eu tentei e ainda sim eu sei que há no Anjo Gabriel, uma lacuna, em branco, vazia, precisando ser preenchida.

Espero pela notícia em que ele desligou o seu modus operandi e ligou novamente as suas emoções. Que o Universo trabalhe a favor dessa realização. Que assim seja.

Boas 24 horas.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Natal, codependência, Dependência

Feliz Natal meus amores!!!
Sumida, eu? Impressão...rs
É, estou ausente mesmo, mas não pensem que abandonei a minha recuperação, o meu blog, foi só a correria de fim de ano mesmo, tudo voltará ao normal, em breve.

Vamos primeiro para as notícias, para depois eu fazer a postagem sobre o tema escolhido.

Gabriel...

Poucos dias antes do Natal, fiquei sabendo pela irmã dele que ele "desistiu", ele disse para ela que não queria mais continuar o tratamento, que queria voltar para São Paulo, para a vida de antes. Tanto a irmã dele quanto o irmão tentaram convencê-lo a continuar na clínica, mas, ele estava irredutível e sabemos que não podemos controlar a recuperação de ninguém e então, ele se foi...

Chorei um bocado quando recebi a notícias, algumas amigas, companheiras viram no meu Face e me apoiaram bastante no dia e hoje, alguns dias depois, posso dizer que estou aceitando. É claro que pensei que depois de anos e mais anos, pela primeira vez eu ia ter um Natal completo, porque passar a noite de Natal sabendo que ele está em recuperação, seria a felicidade plena pra mim, já que foi na noite de Natal que descobri a dependência dele...Não foi nesse Natal, ainda não chegou a hora, mas a minha esperança sem expectativas continua e sempre continuará, só por hoje eu ainda creio na recuperação.


E por falar em Natal, é sobre isso o que eu realmente quero falar. Tenho estado ausente aqui do meu blog, mas acompanhando os outros blogs e as postagens na "nossa" comunidade no face e andei reparando em uma coisa, na repetição de fatos, parece que todas nós, Codependentes, passamos pela mesma experiência em uma determinada data.

E essa data é o Natal. Li várias companheiras falando dessa data, do quão triste ela costuma ser para várias delas, várias de nós.

Parece que todas Co, em algum Natal de suas vidas ao lado de seus amados dependentes, tiveram assim como eu alguma experiência nada agradável e que fez com que passasse a fazer se sentir triste nesta data.

Não foi um comentário somente, foram vários, dizendo quase a mesma frase: Não gosto do Natal, Natal me deixa triste, Natal me traz lembranças...

Normalmente, no Natal agente relembra de alguns fatos do ano que está chegando ao fim mas, para nós Co, não é somente as memórias do ano todo que retornam, é a memória também de algum Natal em que tenhamos passado imersas na dor, do desespero, na dúvida, em lágrimas, por causa de nossos amados dependentes químicos.

É minhas amigas, essa data nos deixa mesmo um pouco nostálgicas, mas, podemos mudar esse padrão certo? Vamos então daqui até o nosso novo ano, agradecer por estarmos em recuperação, agradecer por termos consciência de que podemos fazer as escolhas em nossas vidas e que somos fortes para arcar com as consequências dela...

Só por hoje minhas amadas, vamos apenas agradecer pela noite de ontem, seja como foi, vamos apenas agradecer por estarmos vivas, com dor ou sem dor, ainda sim, estamos vivas, não sobrevivendo, mas vivendo!

Um grande beijo!



sábado, 15 de dezembro de 2012

Reencontro - Leila kruger

Olá pessoas, espero que estejam todos bem, em ritmo de Festas, é claro...

Essa postagem vai fugir um pouco da regra, não vou falar de Codependência, Dependência Química ou Recuperação.

Vou falar sobre um livro que acabei de ler e que gostei muito, me tirou uma boa quantidade de lágrimas...

Já faz quase um ano quando a autora do livro, Leila Kruger deixou um recado aqui no meu blog, falando do lançamento de seu romance e desde então, esse livro se tornou um dos meus desejados em minha extensa lista de livros que quero.

Mês passado finalmente chegou a vez dele, eu o comprei. Eu o devorei.

Abaixo segue a Sinopse:


"Está bem no fundo. Não se pode alcançar... aos poucos, vai roubando o ar.” Ana Luiza vai perdendo seu fôlego: o fim de (mais) um grande amor, um pai distante, uma mãe fútil, uma amizade complexa e "pessoas que sempre vão embora". Com suas músicas de rock, seus livros e seus cigarros, Ana Luiza vê sua vida desmoronar.

"O amor é uma ferida”, ela sentencia. Mas a “garota de olhar longínquo” tem um encontro inesperado com um alguém aparentemente muito diferente dela: os “olhos imensos”, que tudo veem... Presa em seu próprio mundo e rendida ao álcool e às drogas, Ana Luiza tenta fugir. Principalmente do temido amor, que tanto a feriu...

Como encontrar, ou reencontrar o próprio destino?

Até onde o amor pode ir, até quando pode esperar? O que há além das baladas de rock e dos poemas românticos? Poderá o amor salvar alguém de sua própria escuridão?

Às vezes, é necessário perder quase tudo para reencontrar... e finalmente poder amar.

O livro, é um ROMANCE, porém, a autora aborda nele o tema drogas, mas não a versão que nós conhecemos, o foco está no que antecede as drogas, o que leva a personagem a entrar nesse mundo, suas lutas internas, a sensação de estar fora do lugar, de não se encaixar, seus medos, angústias.

Com seus diálogos complexos e cheio de mensagens, a personagem Ana Luiza me conquistou de uma forma única, esse livro tem tanto de mim e do Gabriel, em meu livro falo da sensação que o Gabriel tinha de não pertencer a lugar algum, de achar que sempre estava faltando alguma coisa, com Ana Luiza não é diferente. A trilha sonora que acompanha Ana Luiza, são as músicas preferidas do Anjo Gabriel, e algumas, as minhas também.

Chorei, chorei em vários momentos, eu não conseguia parar de ler porque embora seja um romance, senti ele tão vivo, tão real, justamente por abordar um tema que para mim foi real.

Sem dúvida, Reencontro se tornou um dos meus livros favoritos e por isso deixo aqui a dica, um livro lindo, emocionante, tocante, de tirar lágrimas e de nos fazer acreditar no amor.

Fica difícil eu falar sobre o livro como somente uma leitora, eu falo dele como uma Codependente em recuperação que espera até hoje que o seu anjo Gabriel reencontre o seu caminho, como Ana Luiza reencontrou o seu.



LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...